quarta-feira, 22 de abril de 2015

Biodiversidade

Os professores Elismar Álvares, Celso Giacometti e Eduardo Gusso em seu livro "Governança Corporativa  Um modelo brasileiro", afirma que toda atividade humana afeta o meio ambiente. O desenvolvimento sustentável não implica a preservação das condições originais do meio ambiente, que está em permanente evolução, com ou sem a presença do homem. Na verdade, o desenvolvimento sustentável significa a preservação do processo evolutivo, incluindo o homem.Devido ao grande potencial de impacto de algumas atividades empresariais o que está em jogo nas relações das empresas com o meio ambiente são as condições para a permanência da humanidade no planeta, o que significa disponibilidade de comida, água, energia  e ar em quantidade e qualidade suficientes para que a própria humanidade evolua. Isso exige que as organizações preservem essas condições mínimas.As mudanças climáticas que o mundo está assistindo são uma séria ameaça  aos esforços para o desenvolvimento sustentável e para a redução da pobreza. Em um país onde o nível de pobreza é exagerado, principalmente nas regiões nordeste e norte o governo brasileiro precisa criar mecanismos de proteção da biodiversidade para protege-los, porque são os pobres da zona rural que sobrevivem dos benefícios diretos das florestas, dos recursos hídricos e do solo. Essa dependência é visível quando se constata o excesso de escassez de bens acumulados. Como têm pouca riqueza privada , precisam da riqueza pública, na forma de serviços ecológicos, para sobreviver. O setor produtivo desempenha um papel relevante na questão ambiental, as empresas responsáveis para com o meio ambiente é aquela que consegue consumir o mínimo possível de insumos naturais para produzir o máximo de produtos e serviços e retornando ao ambiente o mínimo possível de rejeitos. Mas segundo os professores acima citados este processo não se restringe a isso, implica também a responsabilidade com o ciclo de vida dos produtos e serviços. A empresa ambientalmente responsável, é aquela que cuida dos impactos de seus processos e produtos, desde a extração de insumos da natureza até a reciclagem dos produtos descartados. As externalidades negativas produzidas pelas empresas só será reduzida se elas forem pagas por elas pelo impacto ambiental que causam no meio ambiente. Se o custo ambiental do produto fosse incluído no preço final, com certeza levaria as empresas a  estimular as inovações porque teriam de descobrir uma maneira de fabricar os mesmos produtos sem poluir e substituiriam determinados materiais por outros, mais sustentáveis.Para as empresas improdutivas e sem nenhuma preocupação com as questões ambientais só restaria uma saída, seu fechamento e sua substituição por outras  produtivas e sustentáveis.O que precisamos e ampliar a riqueza pública (educação de qualidade, segurança, saneamento, transportes, ar puro e água de qualidade para beber), melhorando assim a qualidade de vida da humanidade e acabando a miséria do mundo que só nos envergonha como seres humanos.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

O retrato do Brasil ?

Independentemente das conquistas da sociedade brasileira nos últimos anos, ainda perdura uma perversa desigualdade de renda, mercados ilícitos, ausência de uma educação básica de qualidade para todos, inúmeras famílias vivendo com excesso de falta de materiais para garantir a sua sobrevivência, falta segurança,saneamento básico, empregos de qualidade, transporte, saúde e degradação ambiental. Um Estado que se ausentou durante muitos anos das suas reais funções e que permitiu que a indústria do pó assumisse o controle das áreas mais pobres do país e que só estimulou o fosso entre os detentores de capital e os excluídos. O número de assassinatos nas favelas do Rio de Janeiro ( uma cidade dividida), é o retrato do descaso que ainda hoje toma conta das principais notícias da mídia brasileira. Eu pergunto, e de quem é a culpa por tamanho desmando e sofrimento de milhões de brasileiros que vivem neste ambiente hostil e degradado? O Teólogo calvinista e fundador do Rio de Paz, Antônio Carlos Costa, escreveu um artigo especial  no dia 15\04\2015, no espaço Uol notícias Opinião, cujo título é "Classe média assiste passiva ao massacre de jovens pobres", que retrata muito bem este momento em que se encontra o nosso  país, onde descrevo a seguir: 

Essa declaração não sai da minha cabeça: "ele estava sentando no sofá comigo. Foi questão de segundos. Ele saiu e sentou no batente da porta. Teve um estrondo e, quando olhei, parte do crânio do meu filho estava na sala e ele caído lá embaixo morto".
Palavras da mãe do menino Eduardo, que foi vítima de bala perdida no começo deste mês, no Complexo do Alemão, zona norte do Rio. O que significará para ela viver até a morte com essa lembrança?
O que há em comum nas mortes que ocorrem na favela? Pobre está matando pobre. É isso o que acontece quando traficante mata traficante, traficante mata policial, policial mata traficante, traficante e policial matam morador.
Não estou dizendo que seja da natureza do pobre matar. A maioria trabalha duro. Não estou declarando que o pobre seja o problema. Também não estou eliminando a responsabilidade pessoal, mas afirmando-a. Falo sobre aquilo que desperta em um homem, e que não se manifestaria se não tivesse sido provocado.
Algoz e vítima se confundem nessa história. O injustificável, a prática criminosa, não é sem causa. O problema central é quem está acima do pobre: o Estado, que joga brasileiro contra brasileiro.
Quem é responsável pela não implementação de políticas públicas nas favelas do Rio de Janeiro? Quem é responsável pelo saque aos cofres públicos, que impede o investimento do dinheiro de nossos impostos nas comunidades pobres do Brasil? Quem é responsável pelo sistema prisional brasileiro funcionar como universidade do crime? Quem é responsável pela lentidão e pela ineficácia do nosso sistema de justiça criminal? Quem é responsável pelo baixíssimo índice de elucidação de autoria de homicídio doloso no Brasil?
Quem é responsável pelo fato de nossas crianças não demonstrarem encanto pelas escolas públicas? Quem é responsável por enviar o policial para becos escuros, em comunidades nas quais reina a miséria, abandonadas pelo Estado, a fim de que ele preserve sozinho a ordem pública? Quem é responsável pelo pagamento de salário que não condiz com os riscos que os policiais correm no exercício de uma das profissões mais difíceis de serem exercidas no Rio de Janeiro? Quem é responsável pela falta de punição dos crimes de abuso de poder cometidos por policiais? Quem é responsável por termos a sétima economia do mundo e ao mesmo tempo sermos o 79º país em Índice de Desenvolvimento Humano?
Deveríamos ter vergonha disso tudo. A classe média brasileira, contudo, assiste passivamente ao massacre, que nos últimos 12 anos representou a morte por homicídio de 600 mil brasileiros, 80% dos quais moradores de comunidades pobres.
Temos um Estado corrupto e incompetente. Mas também temos milhões de cidadãos brasileiros esclarecidos que ainda não aprenderam o significado de dar voz aos sem voz e visibilidade aos invisíveis. Há pessoas no Brasil que gritam e não são ouvidas, pelas quais passamos sem perceber sua existência.
São essas que, enquanto enterram seus filhos assassinados, limpam nossas casas, varrem nossas ruas, passam nossa roupa. Coadjuvantes da vida que você e eu vivemos. Como diz Chico Buarque, na canção "Brejo da cruz", "... e ninguém pergunta de onde essa gente vem".
Tony Judt, historiador inglês, no seu livro "O mal ronda a terra", faz declaração que deveria ser ouvida por todos nós brasileiros, se é que queremos dar fim à cultura da banalização do mal no nosso país: "Sobram evidências de que até as pessoas abastadas de uma sociedade desigual seriam mais felizes se a distância que as separa da maioria de seus concidadãos fosse significativamente reduzida. Sem dúvida elas se sentiriam mais seguras. Mas as vantagens vão além do interesse pessoal: viver muito perto de pessoas cuja condição constitui uma censura ética manifesta é fonte de desconforto até para os ricos. O egoísmo é desconfortável até para os egoístas".
Acima do pobre enlutado e da classe média perplexa e omissa está um modelo de sociedade. Uma forma de atuação das instituições democráticas. Um sistema. Uma cultura política. Uma sociedade desigual, na qual os desiguais vivem lado a lado, com um Estado fraco. Lá na ponta, Eduardo, policiais e garotos pobres estão morrendo. 
Essas manifestações que toma conta do nosso país, contra a  corrupção avassaladora dentro do governo e com suas relações com a classe produtiva, é um sinal de cansaço de revolta pela falta de ética na condução da construção de nossa república.  Como bem definiu o presidente Obama em sua viagem a África " o que interessa a dona de casa, ao estudante ao desempregado, aos empresários e a todos os trabalhadores e que tenhamos uma república onde  o  parlamento seja constituído com políticos  transparentes e competentes,uma força policial honesta, uma impressa livre, um poder judiciário honesto e independente  e que o empreendedorismo seja estimulado  em todas as suas formas para a criação de riquezas". Assim, será proporcionado um crescimento e desenvolvimento sustentável, com eficiência,  reduzindo a pobreza e melhorando os indicadores sociais do nosso país.


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Terceirização?

Os estudiosos definem a moderna economia como a ciência que estuda o emprego de recursos escassos, entre usos alternativos, com o fim de obter os melhores resultados, seja na produção de bens, ou na prestação de serviços. Afirmam que o objetivo do estudo de Economia é formular propostas para resolver ou minimizar os problemas econômicos, de forma a melhorar a qualidade de vida das pessoas. Ao analisar e diagnosticar essas questões, a economia vai formular políticas de modo que este objetivo seja alcançado. Esta situação é visualizada quando se discute os objetivos de política econômica. Quatro objetivos de política econômica é preocupação permanente de qualquer líder, que são: Crescimento da produção e do emprego; controle da inflação; equilíbrio nas contas externas e distribuição de renda.O crescimento econômico é a meta mais importante a ser atingida pelos formuladores da política econômica. Lembrando que crescimento econômico refere-se a expansão da produção do país e que há uma correlação positiva entre produção e emprego, ampliando a produção automaticamente estamos aumentado o nível de emprego na economia. Logo, o macromercado de trabalho sofrerá alterações não só no seu preço (salário), como na sua quantidade (nível geral de empregos). O congresso está analisado o projeto 4.330\2004, que abre as portas para que empresas possam terceirizar também as atividade - fim, atualmente se limita as atividade - meio. Segundo o educador Leonardo Sakamoto, doutor em Ciência Política e professor da PUC-SP,chama a atenção de nove motivos para os trabalhadores se preocuparem com a nova lei da terceirização que a descrevo a seguir:
1) Salários e benefícios devem ser cortados
O salário de trabalhadores terceirizados é 24% menor do que o dos empregados formais, segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). No setor bancário, a diferença é ainda maior: eles ganham em média um terço do salário dos contratados. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, eles não têm participação nos lucros, auxílio-creche e jornada de seis horas.
2) Número de empregos pode cair
Terceirizados trabalham, em média, três horas a mais por semana do que contratados diretamente. Com mais gente fazendo jornadas maiores, deve cair o número de vagas em todos os setores. Se o processo fosse inverso e os terceirizados passassem a trabalhar o mesmo número de horas que os contratados, seriam criadas 882.959 novas vagas, segundo o DIEESE.
3) Risco de acidente vai aumentar
Os terceirizados são os empregados que mais sofrem acidentes. Na Petrobras, mais de 80% dos mortos em serviço entre 1995 e 2013 eram subcontratados. A segurança é prejudicada porque companhias de menor porte não têm as mesmas condições tecnológicas e econômicas. Além disso, elas recebem menos cobrança para manter um padrão equivalente ao seu porte.
4) Preconceito no trabalho pode crescer
A maior ocorrência de denúncias de discriminação está em setores onde há mais terceirizados, como os de limpeza e vigilância, segundo relatório da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Com refeitórios, vestiários e uniformes que os diferenciam, incentiva-se a percepção discriminatória de que são trabalhadores de “segunda classe”.
5) Negociação com patrão ficará mais difícil
Terceirizados que trabalham em um mesmo local têm patrões diferentes e são representados por sindicatos de setores distintos. Essa divisão afeta a capacidade deles pressionarem por benefícios. Isolados, terão mais dificuldades de negociar de forma conjunta ou de fazer ações como greves.
6) Casos de trabalho escravo podem se multiplicar
O uso de empresas terceirizadas é um artifício para tentar fugir das responsabilidades trabalhistas. Entre 2010 e 2014, cerca de 90% dos trabalhadores resgatados nos dez maiores flagrantes de trabalho escravo contemporâneo eram terceirizados, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Casos como esses já acontecem em setores como mineração, confecções e manutenção elétrica.
7) Maus empregadores sairão impunes
Com a nova lei, ficará mais difícil responsabilizar empregadores que desrespeitam os direitos trabalhistas porque a relação entre a empresa principal e o funcionário terceirizado fica mais distante e difícil de ser comprovada. Em dezembro do último ano, o Tribunal Superior do Trabalho tinha 15.082 processos sobre terceirização na fila para serem julgados e a perspectiva dos juízes é que esse número aumente. Isso porque é mais difícil provar a responsabilidade dos empregadores sobre lesões a terceirizados.
8) Haverá mais facilidades para a corrupção
Casos de corrupção como o do bicheiro Carlos Cachoeira e do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda envolviam a terceirização de serviços públicos. Em diversos casos menores, contratos fraudulentos de terceirização também foram usados para desviar dinheiro do Estado. Para o procurador do trabalho Rafael Gomes, a nova lei libera a corrupção nas terceirizações do setor público. A saúde e a educação pública perdem dinheiro com isso.
9) Estado terá menos arrecadação e mais gasto
Empresas menores pagam menos impostos. Como o trabalho terceirizado transfere funcionários para empresas menores, isso diminuiria a arrecadação do Estado. Ao mesmo tempo, a ampliação da terceirização deve provocar uma sobrecarga adicional ao SUS (Sistema Único de Saúde) e ao INSS. Segundo ministros do TST, isso acontece porque os trabalhadores terceirizados são vítimas de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais com maior frequência, o que gera gastos ao setor público.
Resumindo, espero que esta nova regulamentação caso seja aprovada, ao ser inserida no mercado de trabalho, produza o real objetivo da ciência econômica (melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores), e não a degradação nas relações trabalhistas. Vamos aguardar.

quinta-feira, 26 de março de 2015

Imaginação

A professora de jornalismo econômico da Universidade de Columbia  Silvia Nasar em seu livro "A imaginação econômica ", que indico aos meus alunos como leitura obrigatória, dada a sua riqueza de informações,onde os pensadores econômicos  do século XIX  admitiam que a maioria da humanidade jamais deixaria de ser pobre e passar fome , pois , como parecia demonstrar Malthus ,o inexorável crescimento da população acabaria com os eventuais ganhos das classes baixas. Algumas décadas e muitas fábricas depois, essa visão deu lugar a uma concepção dinâmica em que o homem tomava as rédeas de seu destino econômico. É dessa transformação que trata a obra dessa excelente professora.   No epílogo deste livro diz a mestre: grande parte das jornadas começa na imaginação. A grande busca para tornar a humanidade senhora de suas circunstâncias não constitui exceção. Os fundadores da economia, no século XVIII, tinham uma visão de organização econômica de que a cooperação voluntária substituiria a coerção. Pressupunham, porém, que cada nove em dez seres humanos estavam condenados por Deus ou pela natureza a levarem uma vida de pobreza e de árduos trabalhos. Duzentos anos de história os convenceram de que a maioria da humanidade tinha tantas chaces de escapar de seu destino quanto as chances dos prisioneiros de uma colônia penal, rodeada por um vasto oceano. Dickens, Mayhew e Marshall depararam com a economia na Londres vitoriana durante uma revolução na produtividade e nos padrões de vida. Eles eram animados por uma visão mais brilhante, mais esperançosa. Esses pensadores econômicos eram movidos não apenas pela curiosidade intelectual e pelo anseio por uma teoria, mas também pelo desejo de pôr a humanidade numa situação de mando. Procuravam instrumentos de mestria, ideias que pudessem ser usadas para promover sociedades caracterizadas pela abundância e pela liberdade individual, em vez de um colapso moral e material. Eles aprenderam que a inteligência econômica era muito mais necessária para o sucesso do que o território, a população, os recursos naturais ou até mesmo a liderança tecnológica. O grande economista John Maynard Keynes, tinha a convicção de que as ideias econômicas haviam feito mais para transformar o mundo do que a máquina a vapor. As verdades econômicas podem ser menos permanentes do que as verdades matemáticas, mas a teoria econômica era essencial para saber o que funcionava, o que não funcionava,o que importava e o que não importava. O grande economista Robert Solow, afirmava: As perguntas vivem mudando e as respostas a questões até mesmo antigas continuam mudando à medida que a sociedade evolui. Isso não significa que desconheçamos o que é útil, em determinados momentos. Eu,pergunto será que  o nosso corpo político, transparente e inteligente têm consciência do que funciona e não funciona no nosso sistema econômico,neste momento?

quarta-feira, 18 de março de 2015

Exigências

O economista John Maynard Keynes, definiu a economia como um aparelho mental que, como qualquer outra  ciência, era essencial para analisar o mundo moderno e aproveitar ao máximo suas possibilidades. Ele chamou a atenção para o maior problema político da humanidade, que no seu entendimento, as nações precisam buscar a melhor combinação entre eficiência econômica, justiça social e liberdade individual, dai a ida da população as ruas exigindo do atual governo, um  ajuste dessas políticas. A liberdade individual foi retomada com a redemocratização, quanto a justiça social e a eficiência econômica estamos muito distante dos países desenvolvidos.O professor Dulio Duka de Souza no livro Práticas de cidadania tem um item que chama atenção e me parece que começa a tomar corpo neste país, que é ter a consciência da cidadania. Diz o mestre:  "Ter a consciência da necessidade de se ter consciência, para buscar conhecer os direitos e de exigir o direito de ter direito, e entender que essa consciência não se compra, não se vende, não se barganha nem se acha na rua, ao contrário, se constrói, este é o ponto mais alto da cidadania. Os sujeitos são construídos no mesmo ambiente em que vivem, convivem e produzem. Ser cidadão, ou cidadã, é poder ter condições de romper as barreiras da ignorância moral, espiritual e intelectual. É ter a capacidade de pensar e refletir a vida política, econômica, cultural e social em que vive, local e globalmente. Ser capaz de adquirir, e ter sempre presente em si, uma consciência histórica, democrática e internacional, cuja plataforma seja o direito de igualdade de oportunidade, a tolerância, a solidariedade, o respeito, a paz e a justiça. A construção da consciência se dá na sensibilização e na capacidade de perceber e sentir na pele o que está acontecendo ao nosso redor.Entretanto, não podemos ficar apenas sentindo o frio à flor da pele e esquecer o calor que há dentro de nós.Nossa reação já será a manifestação de cidadania. As entidades e os movimentos, com suas ações propositivas, seja nos debates, nos atos públicos, ou nos documentos, buscam contribuir para o processo de formação da plena cidadania, mesmo com todas as dificuldades que a realidade lhes coloca.O grande desafio, porém, está ainda no chão da escola: romper com as bases do pensamento pedagógico clássico e a lógica do conformismo daqueles e daquelas que para tudo não tem jeito, não adianta, sempre foi assim e etc., resultado de uma outra lógica puramente etapista, conteudista, linearista e eurocêntrica do sistema de ensino que materializam a discriminação, a exclusão, a dominação e elimina a identidade dos diferentes". No artigo que escrevi cujo título é Falta de Vergonha e que encontra-se neste site, afirmava: A tolerância do povo brasileiro é um escândalo, acho que nenhuma nação do mundo se comporta em omissão como a nossa e segundo pesquisa é o povo mais feliz do planeta ( dá pra entender?). Fruto da ausência da educação de qualidade em toda a cadeia que alimenta e estimula este comportamento omisso e sem visão critica das grandes questões que os atormenta.Segundo os historiadores  Aristóteles, grande filósofo grego, já nos alertava que todos os homens têm por natureza o desejo de buscar conhecimento, para dar sentido e explicação da realidade. Como educador há tantos anos, tenho verificado por parte dos meus alunos, uma dificuldade enorme em refletir e uma preferência maior pela ação,isto é fruto da ausência da qualidade em nossa cadeia educacional, onde os professores mal qualificados e mal remunerados( a exceções) não estimulam os alunos ao exercício da leitura, do pensar do ambiente em que vivem  e do  próprio mundo em constante transformação. O homem precisa compreender a sua importância como ator principal da construção da nossa história, é preciso refletir o seu papel e realizar ações que o engrandeça, que contribua com a evolução da inteligencia humana para atingirmos um novo patamar civilizatório. Que as manifestações e as suas exigências  defendida nas ruas recentemente pelo povo brasileiro, sirva  de parâmetro para o atual  governo elaborar políticas com princípios. Como já dizia o professor San Tiago Dantas em sua aula de civismo,  a base de tudo, a essência, é o saber. O saber pode te levar ao ter.O saber pode te levar ao poder.Não é  desejável que o ter leve ao poder. Mas é inadmissível que o poder te leve ao ter. A sociedade quer dar um  basta em tanta corrupção.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Fazer o que é certo e bem feito

Em artigos passados tenho defendido que o desenvolvimento é um processo global de maturação e de busca de maior perfeição em todos os campos. Não se reduz ao ter mais, deve ser um permanente ter mais em todos os campos da inteligência, da sensibilidade, da moralidade, do direito e do bem estar social. Se o desenvolvimento é um processo, todos os países que tenham pretensão de se desenvolver, precisa planejar este desenvolvimento. Para que uma nação atinja um elevado estágio de desenvolvimento político, econômico e social, precisa ter um corpo político de líderes capazes de exercer uma orientação firme e segura nas várias camadas da sociedade durante um longo período de tempo. Quanto ao tempo, verificamos que o processo de desenvolvimento é contínuo. Nenhum país alcançou o estágio ótimo de desenvolvimento, pois sempre terá alguns setores com deficiências a serem corrigidos. Por ser contínuo, o desenvolvimento econômico de uma nação pode passar por fases de retardamento ou de um retrocesso. Especificamente o Brasil que hoje encontra-se em uma fase critica de retardamento do seu processo de desenvolvimento criando dificuldades enormes no crescimento de sua economia em função de erros cometidos no passado na condução da nossa política econômica. Segundo o professor Delfim Netto em artigo publicado em 11\03\2015, cujo título é "Recuperar o normal", na Folha de São Paulo mostra com muita propriedade o precisa ser feito para atingirmos o tal estágio ao longo do tempo desde que os princípios que precisam ser implementados seja adotado, diz o mestre:Existem  limites para o voluntarismo econômico que não podem ser contornados sem graves consequências que, infelizmente, sempre chegam tarde demais, como, por exemplo:
1º) tentação de violar as identidades da contabilidade nacional, que leva a desequilíbrios cumulativos, cuja correção é sempre dolorosa;
2º) a necessidade de calibrar permanentemente o crescimento econômico (produzido pelo investimento) com a imprescindível redução das desigualdades (aumento das oportunidades de consumo);
3º) ignorar que só pode ser distribuído o que já foi produzido internamente, o que se ganhou de presente do exterior com a melhoria das relações de troca ou o que se tomou emprestado do exterior e que deverá ser devolvido no futuro;
4º) desconhecer que o crescimento econômico é somente o codinome do aumento da produtividade dos trabalhadores que depende, basicamente:
a) da saúde, da educação e da experiência de cada um e do volume e da qualidade tecnológica do capital a ele associado (investimento);
b) de como se organiza o processo produtivo nas empresas e sua segurança jurídica, ou seja, da eficiência com que transformam os fatores de produção que usam (trabalho, capital físico, energia e importação) em produtos acabados para consumo interno e exportação e em novos fatores de produção (investimento), o que é facilitado;
c) pela existência de mercados bem regulados que coordenam, por meio de preços relativos livremente estabelecidos, as expectativas de consumo interno e externo com as expectativas de oferta dos produtores;
d) da organização do Estado para prover serviços públicos com eficiência e liberá-lo do controle dos monopólios naturais com suas concessões ao setor privado por meio da criação desses mercados e do estabelecimento da "modicidade tarifária" com leilões bem concebidos e;
5º) deixar de reconhecer que a "ordem" fiscal (deficits estruturais adequados e relação dívida pública bruta/PIB com espaço suficiente para fazer política anticíclica quando necessário) é a mãe de todas as "ordens" e a possibilidade de uma coordenação adequada entre a política fiscal e as políticas monetária, salarial e cambial que produz o equilíbrio interno (baixa inflação) e o externo (deficit em conta corrente saudável).
Façamos apenas o "normal". Dá certo!
A insatisfação da sociedade brasileira em razão das dificuldades que precisam ser superadas e que exige um esforço de todos, só será alcançadas quando as autoridades econômicas compreenderem que os pontos que foram citados sejam realmente implementados. Como diz o mestre "fazer bem feito o que é certo".

quarta-feira, 4 de março de 2015

Em busca do desenvolvimento

Uma análise mais detalhada não deixa duvidas de que a política econômica praticada no governo passado era insustentável em uma visão de longo prazo. O desafio de voltarmos a crescer a taxas elevadas e sustentáveis passa necessariamente pelo contexto do processo de globalização. Logo a adoção de políticas macroeconômicas consistente é condição necessária para manter a atratividade do país para o capital financeiro internacional. Um país que tem limitações de poupança interna não pode dar-se ao luxo de prescindir da poupança externa. Logo é preciso restaurar o equilíbrio macroeconômico, que exige um ajuste efetivo das contas públicas, essencial para restabelecer a confiança dos investidores. Irresponsabilidade na condução da política econômica, principalmente na área fiscal,gera custos extremamente elevados para os países num mundo globalizado. Precisamos de uma política macroeconômica que garanta a estabilização e um equilíbrio no setor externo e só conquistaremos com uma ação forte do Banco Central que consiga trazer para o centro da meta as expectativas de inflação para 2016 e um aumento significativo na taxa de investimento do nosso país. As medidas que estão sendo tomadas estimula ainda mais a insatisfação generalizada da nossa população perante as ações governamentais pois leva a política de demanda para a contração que gera desconforto no mercado de trabalho. Este é o preço que os brasileiros estão pagando pelo desarranjo econômico construído nos últimos anos deste governo. A sociedade brasileira aguarda que o ajuste seja firme e que produza o mais rápido possível os resultados concretos, proporcionando o retorno da confiança de todos os  agentes econômicos. As grandes políticas (fiscal, monetária, cambial e rendas) precisam se voltar para o futuro, que permita criar as condições necessárias e suficiente para termos um crescimento mais elevado amanhã. O país clama por reformas nas áreas:(tributária, política, trabalhista e previdenciária) que estimule o ambiente de negócios e o torne mais eficiente. Nenhuma sociedade se desenvolve por tributar seus cidadãos além de sua capacidade de pagar. O governo tem o dever de garantir que cada centavo que arrecada seja gasto bem e sabiamente. Proteger a carteira do cidadão e proteger os serviços  públicos ( educação de qualidade, investimentos em infraestrutura, saúde e segurança) essas no meu entender devem ser as maiores tarefas que precisam ser conciliadas. Espera-se que em um futuro não tão distante (2017) possamos voltar para a continua construção de um país, mais eficiente, eliminação da pobreza, elevada taxas de produtividade em todas as áreas, redução das desigualdades regionais e que a sociedade brasileira atinga um alto padrão de vida que possamos nos orgulhar.